Professor Miguel Dias Filho – O poder do dinheiro – Nilva Vídeo Produções.

Veja só que interessante!

Numa cidade, os habitantes, endividados, estão vivendo às custas de crédito.
Por sorte chega um gringo e entra no único hotel.
O gringo saca uma nota de R$ 100,00, põe no balcão e pede para ver um quarto.
Enquanto o gringo vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo com a nota de R$ 100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro.
O açougueiro pega a nota e vai até um criador de suínos a quem deve e paga tudo. O criador, por sua vez, pega também a nota e corre ao veterinário para liquidar sua dívida.
O veterinário, com a nota de R$ 100,00 em mãos, vai até à zona pagar o que devia a uma prostituta (em tempos de crise essa classe também trabalha a crédito).
A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde levava seus clientes e que ultimamente não havia pago pelas acomodações e paga a conta de R$ 100,00.
Nesse momento o gringo chega novamente ao balcão, pede sua nota de R$ 100,00 de volta, agradece, diz não ser o que esperava e sai do hotel e da cidade.
Ninguém ganhou um vintém, porém agora todos saldaram suas dívidas e começam a ver o futuro com confiança!

Moral da história:

Quando o dinheiro circula, não há crise!

O PODER DA VÍRGULA

Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI
 (Associação Brasileira de Imprensa)

 Vírgula pode ser uma pausa… ou não.
 Não, espere.
 Não espere…

 Ela pode sumir com seu dinheiro.
 23,4.
 2,34.

 Pode criar heróis..
 Isso só, ele resolve.
 Isso só ele resolve.

 Ela pode ser a solução.
 Vamos perder, nada foi resolvido.
 Vamos perder nada, foi resolvido.

 A vírgula muda uma opinião.
 Não queremos saber.
 Não, queremos saber.

 A vírgula pode condenar ou salvar. 
 Não tenha clemência!
 Não, tenha clemência!

 Uma vírgula muda tudo.
 ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

 Detalhes Adicionais:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER…

 * Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM… 

O trem e a saudade de Minas – Miguel Dias Filho – Professor de Português

Miguel

O trem e a saudade de Minas 

                Todos os que deixam sua terra natal carregam no peito uma saudade.  Com o mineiro não é diferente.  Entretanto, a saudade do mineiro é bem abrangente, passa pelos cinco sentidos.  Vai desde a saudade do sabor, de um pão de queijo, por exemplo, à saudade dos sons de Minas, podemos citar o som de uma viola ou o de uma prosa amiga.

                Da saudade também não fica fora o olfato, aquele cheiro de um cafezinho coado nas manhãs frias que nascem entre as montanhas, nem tampouco esquecemos o visual… ah, a visão guarda muita saudade.  As imagens de Minas povoam a memória de todo mineiro ausente.  Ainda há aqueles mais idosos que cultivam uma saudade composta por todos os sentidos.  Meu avô, embora nunca tenha saído de Minas, suspirava com carinho uma saudade especial: saudade de ouvir o apito do trem, os viajantes correndo pela plataforma para buscar, com a vista atenta, a Maria Fumaça apontando na curva. Lá vinha ela garbosa, sacudindo, com seu característico cheiro de um “trem” queimado, entoando uma canção própria, parecendo sugerir: café-com-pão, bolacha não; café-com-pão, bolacha não…  Hoje, ainda é possível conhecer ou recordar essas sensações no embalo de alguns passeios turísticos, como por exemplo, entre São João Del Rei e Tiradentes, entre Ouro Preto e Mariana.

                De Minas vêm ainda muitos trens.  Para mineiro, a vida é um “trem bão”… mulher também é “um trem bão demais, sô”.  Tudo se resume a trem. Uma refeição pode ser trem: “Tô com vontade de comer um trem”.  Um cisco também pode ser trem: “Caiu um trem no meu olho”. 

                É por isso que uma manchete de jornal como esta, em Minas, não emociona ninguém:  “Trens batem de frente em Minas”.

            Os mineiros obviamente não dão a devida importância a essa notícia, já que pra nós isto quer dizer apenas que duas coisas bateram. Podem ser dois carros, um carro e uma moto, uma carroça e um carro de boi; ou até mesmo um choque entre uma mala de viagem e a mesa de jantar…

            Movido pela curiosidade, resolvi então consultar o Aurélio e vejam o que diz:

            Trem: sm. 1. Objetos que formam a bagagem dum viajante. 2. Mobiliário duma casa. 3. Bras. Comboio ferroviário. 4. Bateria de cozinha. 5. Bras. Pop. Treco. 6. Diz de pessoa ou coisa ruim, imprestável. (Bras. : é a abreviatura de Brasileirismo)

            Vejam que o sentido de comboio ferroviário é apenas o um dos significados, e ainda é considerado um brasileirismo. Comentei o fato com um professor especialista em etimologia que esclareceu a questão: o comboio ferroviário recebeu o nome de trem, justamente porque trazia, porque transportava os trens (objetos, trecos) das pessoas. Vale lembrar que, muitos anos atrás, o Brasil possuía uma malha ferroviária com relativa capilaridade e o transporte ferroviário era o mais importante, assim era natural que as pessoas fizessem esta associação.

            Moral da história: O mineiro é antes de tudo um erudito. Além de erudito, ainda é humilde e aceita que o pessoal dos outros estados tripudie da forma como usa a palavra trem. Na verdade, acho que isto faz parte do espírito cristão do mineiro, ele escuta as gozações e pensa:

                “Que trem, sô!… mas que sejam perdoados, pois não sabem o que dizem”.

Miguel Dias Filho – Professor – “O Valor de um muito obrigado”!

O valor de um

“muito obrigado”!

 

                 “Ficamos-lhe obrigadas por tanta gentileza!  Assinado: Clube das Viúvas”.

                Esses foram os dizeres do cartão recebido por um amigo, em agradecimento ao ramalhete que enviou ao Clube das Viúvas de sua cidade.  “Obrigadas”?, questionou ele.  Sim, por que não?  Se estivesse escrito “agradecidas”, ele não se espantaria.

                Elas também poderiam ter dito: “Muito obrigadas pelas flores!”.

                O adjetivo “obrigado” flexionado em feminino plural feriu seus ouvidos.  O que nos fere os ouvidos não é apenas o que está errado, mas também aquilo que não estamos acostumados a ouvir.  A expressão de cortesia “obrigado” varia conforme o sexo do sujeito da oração, pois é um adjetivo.  Concorda com a(s) pessoa(s) que agradece(m). Um homem diz “muito obrigado”; a mulher, “muito obrigada”.  O agradecimento no plural é usado de forma muito rara, mas é correto responder à pergunta “Como vão seus familiares?” com “Vamos bem, obrigados!”. Assim também foi correta a manifestação de agradecimento das mulheres com um “muito obrigadas!”.

                Vamos avançar um pouco além, ou seja, aprofundar na etimologia e no sentido filosófico da expressão “obrigado”. Há quem pergunte “por que obrigado?, tenho obrigação de quê?”. Pegando uma carona no texto de Luiz Jean Lauand, professor da USP, para a revista Língua Portuguesa da editora Segmento, encontramos uma explicação de São Tomás de Aquino, em sua obra Suma Teológica. Tomás ensina, em seu Tratado da Gratidão, que a gratidão se compõe em diversos graus. O primeiro consiste em reconhecer o benefício recebido, obter uma graça, aceitar um favor. O segundo consiste em louvar e em dar graças àquele que nos deu algo gratuito, em troca de nada. O terceiro grau é a retribuição, de acordo com suas possibilidades, segundo as circunstâncias mais oportunas de tempo e lugar.

                É assim que cada língua expressa a gratidão em diferentes graus. O inglês “to thank” e o alemão “zu danken” tomam a gratidão com frieza, na primeira dimensão, ou seja, apenas o reconhecimento da graça.  Já a forma latina “graças” presente no italiano e no espanhol vai mais além, pode ser considerada uma segunda dimensão, o nível de louvar e dar graças.

                Especial é mesmo a formulação portuguesa, tão encantadora e singular, pois é a única a situar-se, claramente, no terceiro grau, o nível mais profundo da gratidão: “o do vínculo (ob-ligatus), o do dever de retribuir”, afirma Lauand.

                Concluímos, portanto, que o agradecimento está, intimamente, ligado a quem pensa, pondera, reconhece o benfeitor.  E, ao aceitar uma dívida impagável, o homem agradecido sente-se embaraçado, porque sabe que, por mais que faça, tudo será insuficiente. Assim, é preciso humildade para aceitar um favor imerecido, pois fica o dever de retribuir, acompanhado à consciência de que será impossível cumprir totalmente. Porém, quem não quiser se comprometer com a retribuição, que use os inócuos “Valeu!”, “Falou!”, “Beleza!”.